Amor em Minúscula (Francesc Miralles)

Ganhei este livro de presente de aniversário (no ano passado!) do meu querido colega Gustavo mas só agora resolvi colocá-lo no topo da minha lista de leituras porque, bem, porque achei que pegaria meio mal não dar a devida atenção a um presente querido. (foi mal pela demora, Gus!)

Infelizmente minhas impressões sobre este livro não foram como eu gostaria que fossem. Minha intenção era a de chegar para o Gustavo e dizer "Muito obrigada, o livro é ótimo! Gostei disso, disso e daquilo…" etc. como acontece com qualquer livro que caia nas minhas mãos mas, infelizmente, não foi nem de longe o que aconteceu.

Em primeiro lugar, embora a capa do livro seja lindíssima: um filhote de gato laranja em um fundo branco — imagino que tenha sido o motivo que levou à escolha deste livro como presente e não outro, afinal, amo gatos — o livro peca em diversos aspectos. Talvez por se tratar de um livro enquadrado no gênero (?) best-seller, sem grandes elaborações e com uma narrativa digerível para quem, ao contrário do que acontece comigo, não tenha o hábito de ler e se satisfaça com esse tipo de publicação.

Dentre muitos, muitos aspectos que me irritaram profundamente na leitura deste livro, vou selcionar apenas (?) quatro:

  • A arrogância do narrador ao achar que o leitor é burro (para não dizer outras coisas) e que não reconhece referências literárias como Goethe, Rilke e Kafka — ok, dentre todos os aspectos esse é o "menos pior", porém, em determinados capítulos o autor enche linguiça com dados sobre os literatos e demais personagens históricos presentes no romance;
  • A maneira como o narrador se dirige ao público-leitor, como se o mesmo estivesse buscando uma espécie de sabedoria ou, melhor, como se o público quisesse que o narrador refletisse e o convidasse a dividir suas conclusões sobre determinados aspectos da vida. (será que o Gustavo procurou este livro na prateleira dos livros de auto-ajuda? :S! );
  • A arrogância do narrador ao tratar todas as personagens mulheres do romance como meninas (e há uma referência clara quando se refere a cada uma delas) mimadas ou ingênuas, isto é, as infantiliza. Em mais de uma passagem o narrador se porta como "pai" delas (sendo que uma delas é sua própria irmã) e emite juízos de valor com relação a determinados comportamentos das mesmas. O personagem em si é piegas e convencido, idealizando e subestimando a capacidade de ação das personagens femininas, como uma espécie de Werther contemporâneo, desejando que sua Charlotte caia a seus pés a qualquer momento — o que, de fato, acontece ao final deste romance.
  • Por fim, o aspecto que mais me irritou profundamente foi a quantidade de erros (visivelmente) de digitação. Erros desse tipo são perfeitamente aceitáveis em todas as formas de publicação — sabemos bem do volume de trabalho que um revisor editorial enfrenta diariamente — mas a falta de cuidado com esta edição desmereceu o trabalho do tradutor, do revisor e da própria editora e conferiu mais pontos negativos para minha avaliação deste romance;

Peço perdão infinitas vezes por apresentar uma análise subjetiva que tende ao preconceito com relação aos livros best-seller mas, de certa forma, fico indignada pois já li uma centena de livros que receberam o mesmo rótulo e, no fim, provaram ser infinitamente melhor em termos de desenvolvimento da narrativa do que o romance de Miralles.

Edição: MIRALLES, Francesc. Amor em Minúscula. Tradução (do espanhol) de Luís Carlos Cabral. Rio de Janeiro: Record, 2008.

2 thoughts on “Amor em Minúscula (Francesc Miralles)

  1. Ah, mas tenho certeza de que mesmo assim foi um bom presente, não? Pelo menos deu pra desenvolver o espírito crítico, aumentar o curriculum e ter a própria opinião sobre o romance ;)

    Beijos, querida!

  2. sim! isso é bem verdade!
    adoro ganhar todo tipo de livro de presente :)
    e eu juro que leio! não faço distinções de gênero, autor, capa, editora… leio tudo!

    às vezes é mais legal ganhar um “best-seller-traduzido-da-prateleira-de-ajuto-ajuda” de alguém que pensou “acho que a Amanda vai gostar desse aqui por causa de x, y e z” do que um vale presente de alguém que pensou “ah, ela que faça bom proveito…”.

    beijão, Juju!

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