Entrevista com o tradutor Paulo César de Souza na Revista Cult

Uma das coisas mais legais que tivemos na faculdade foi uma compilação de reportagens e entrevistas (de jornais e revistas de todo o país) sobre tradução e o mercado editorial dedicado a esse segmento. A seleção foi feita pelo professor Pedro Garcez, quando o mesmo ainda ministrava a disciplina de Linguistica e Tradução para o Bacharelado em Letras da UFRGS.

Na época, isto é, em 2008, as reportagens que mais me chamaram a atenção foram aquelas referentes aos projetos de tradução da obra completa deFreud direto do alemão devido à necessidade de uma revisão não apenas terminológica, mas também da maneira como Freud escrevia — sua intenção era divulgar seu trabalho por meio de textos compreensíveis e — por que não dizer? — beirando ao literário.

Para minha surpresa, a edição deste mês (Junho) da revista Cult oferece um dossiê sobre Freud, isto é, vários textos que tratam da temática das obras e do legado do psicanalista. Dentre eles, está uma entrevista com um dos “novos tradutores” de Freud, Paulo César de Souza, que é responsável pelo projeto de tradução das obras direto do alemão e recentemente publicadas pela Companhia das Letras.

Como apreciadora e estudante de tradução, adoro esse tipo de reportagem/entrevista porque ajuda na divulgação e na valorização dos tradutores e de seus trabalhos (aliás, esse é um dos principais motivos pelo qual eu leio/compro a Cult!). Interessada na reportagem por causa da temática, chamou-me a atenção um trecho em que o entrevistado revela detalhes sobre o projeto e o processo tradutório e assume seus erros, de maneira transparente. Como deve ser.

CULT — A edição alemã que serviu de base para a brasileira foram as Gesammelte Werke [Obras Completas]. Você pode explicar como organizou os volumes e definiu o texto-base para a tradução?

Paulo César — Fiz uma divisão em 19 volumes de texto, na ordem cronológica original, e um de índices e bibliografia. O texto das Gesammelte Werke foi comparado com o de outra edição mais nova, a Studienausgabe, que é revista, mas não completa. Quando houve alguma passagem ou algum termo problemático, redigi notas de rodapé, explicando o termo e dando versões em outras línguas, como fiz nas traduções de Nietzsche. Mas já notei — e alguns amigos me comunicaram — vários “cochilos” de tradução e de edição nos três volumes que saíram e no meu livro. Eles serão corrigidos na reimpressão, mas os leitores que desejarem receber logo uma errata podem enviar um e-mail para a editora, que terão essa errata, com as nossas desculpas. (página 59)

Boa leitura!

Observações:
1. Tenho muita curiosidade de ler a obra de Freud, mas é uma curiosidade do tipo quero-saber-qual-a-opinião-dele-naquela-época e não do tipo quero-ter-acesso-às-verdades-inquestionáveis-da-teoria-dele-blablabla. Porque, né? convenhamos.

2. Infelizmente, as edições de Companhia das Letras são muito caras (em média R$50 reais cada uma). Estou aguardando que a biblioteca do nosso setor adquira os exemplares (a faculdade de Psicologia já deve ter adquirido, porém, fica meio fora de mão ir até lá).

3. Infelizmente, a entrevista (ou parte dela) não se encontra disponível online…

O quê?
Revista Cult. Edição número 147, Junho de 2010 — ano 13. Editora Bregantini.

The Bluest Eye (Toni Morrison)

Sou tão “nerd da literatura” (se é que esse termo existe, de fato) que não só leio os livros exigidos pelas disciplinas que eu curso como também leio aqueles exigidos nas disciplinas que meus colegas cursam como é o caso de The Bluest Eye, da norte-americana Toni Morrison, lido pelos colegas de Literatura Norte-Americana III (não havia me matriculado nela por questões de colisão de horário). Morrison está na minha lista-de-leituras-futuras há um bom tempo! Tenho o A Mercy dela (edição baratíssima adquirida na Livraria Cultura), peguei o Song of Solomon na biblioteca da faculdade e a Vivian, minha colega de pesquisa, defendeu o trabalho de conclusão de curso sobre o Beloved, outro que em breve aparecerá por aqui. :)

Ouvi comentários do tipo que o The Bluest Eye, por ser o primeiro livro dela, fosse talvez o menos interessante. Pois, se, como dizem for o menos interessante, imagino que Toni Morrison venha a ser minha escritora favorita, tudo porque este livro já é considerado como o meu favorito-de-todos-os-tempos. Quais os motivos? É um livro triste, o mais triste de todos e, ao mesmo tempo o mais bonito.

A história é simples (porém dramática): Pecola, uma menina negra e “feia”, tratada com indiferença pela mãe e violentada pelo pai, tem um único desejo em toda sua vida: ter olhos azuis. Afinal de contas, se ela realizar seu maior sonho, as pessoas parariam de olhar para ela com raiva ou indiferença e não a achariam tão feia.

A narrativa gira em torno da vida de Pecola, de Pauline (sua mãe) e de Cholly (seu pai) e inicia a partir do momento em que Pecola passa a viver na casa das irmãs Claudia e Frieda em decorrência do desmembramento de sua família. Ela é composta por quatro vozes distintas: Claudia (também criança e irmã de Frieda), um narrador em terceira pessoa, Pauline (mãe de Pecola) e, nos momentos finais, temos a voz da própria Pecola.

O livro questiona os ideais de beleza de uma sociedade que exige das mulheres determinados padrões de beleza impostos por determinado gênero, raça e, claro, classe social, destinados a determinado gênero, raça e classe social.
Talvez o mais genial em Morrison, foi que ela deu voz às crianças negras de Lorain, Ohio, nos Estados Unidos dos anos 40, um país marcadamente conhecido pelas lutas em prol dos direitos civis.

Segue, na sequencia (I), um dos meus trechos favoritos — narrado por Claudia, que fala sobre a péssima (na opinião dela) mania dos adultos de imaginarem que o sonho de toda menina negra é ganhar uma boneca de olhos azuis:

I destroyed white baby dolls.

But the dismembering of dolls was not the true horror. The truly horrifying thing was the transference of the same impulses to little white girls. The indifference with which I could have axed them was shaken only by my desire to do so. To discover what eluded me: the secret of the magic they weaved on others. What made people look at them and say, “Awwwww,” but not for me? The eye slide of black women as they approached them on the street, and the possessive gentleness of their touch as they handled them. (MORRISON, 1990: 15)

Segue, na sequencia (II), um vídeo interessante sobre a autora, falando, em entrevista, sobre o processo de escrita de The Bluest Eye.

Toni Morrison talks about her motivation for writing

(Além de uma escritora competentíssima, acho ela linda e querida! Queria tanto que fosse minha mãe ou tia ou avó…)

Acreditem, é o meu livro favorito até o momento.

Edição: MORRISON, Toni. The Bluest Eye. London: Picador, 1990.

I Jornada de Estudos Literários UFRGS

Aproveitando que minhas leituras sofreram uma interrupção brusca em função do fim de semestre na faculdade, uso o espaço do blog para divulgar um evento bacana que acontecerá no dia 26 de Agosto no Instituto de Letras da UFRGS. Gostaria de deixar como convite a todos os colegas da Letras/UFRGS que estão desenvolvendo seus trabalhos na faculdade e que gostariam de mostrar um pouco da produção intelectual para outros colegas.

Portanto, segue abaixo informação retirada do blog da Jornada para todos aqueles que tiverem interesse em participar.

As inscrições iniciam amanhã (16 de Junho) e vão até 16 de Julho.
A seleção será divulgada em 31 de Julho.

Nos vemos lá!

* * *

A I Jornada UFRGS de Estudos Literários, que acontecerá em 26/08/2010, no Instituto de Letras da UFRGS, é um evento destinado à apresentação de trabalhos na área de literatura, para promover a integração da graduação e pós-graduação. Em sua primeira edição, o evento é destinado apenas a alunos do curso de Letras da UFRGS.

Serão aceitos resumos para apresentação de trabalhos nos seguintes eixos temáticos:
1) Literatura Portuguesa, Brasileira e Africanas
2) Teoria Literária e Literatura Comparada
3) Literaturas Estrangeiras Modernas e Estudos Clássicos

4) Literatura e Ensino

Resumos

Critérios de Seleção:

O resumo deverá ser conciso e breve, apresentando objetivos, métodos, explicitando quais pressupostos teóricos serão utilizados, além de apontar possíveis considerações finais e conclusões acerca do trabalho realizado. Não serão selecionados os resumos que não se encaixem em nenhum dos eixos temáticos propostos, assim como aqueles que não apresentarem professor responsável.

Aspectos formais:

Tamanho 10, espaçamento simples, fonte Times New Roman. Além disso, o texto deve conter título, nome do autor, nome do professor responsável e o texto em novo parágrafo, num único bloco justificado, de 300 a 400 palavras, e na linha seguinte, devem constar até cinco palavras-chave.

Envio

Prazo: De 16/06/2010 a 16/07/2010.
Enviar resumo para jornadaestudosliterariosufrgs.

É necessário indicar se irá utilizar recursos áudio-visuais na apresentação.

Divulgação dos resumos aceitos: Até o dia 31/07/2010.

TOP 5 Dia dos Namorados

Eu SEI que vocês não aguentam mais ouvir falar em dia dos namorados.

Mas como praticamente todos os blogs por aí estão postando dicas para os casais apaixonados, resolvi fazer o mesmo — do meu jeito, lógico.

Logo, elegi um TOP 5 Dia dos Namorados! Isto é, livros que deixo como sugestão para meus amigos e leitores que querem presentear a namorada ou o namorado. Afinal, aqui não faço distinção de gênero, os livros servem para os dois, três, quatro…

Enfim, em função da falta de tempo, não terei como postar uma breve sinopse sobre cada um :( ooh! Mas pesquisem na internet, na wikipedia, no site da Cultura, ou das editoras. Vale a pena. :)
Ainda não deu tempo de comprar um presente pro seu ou sua sweetheart? Corre para a livraria mais próxima!!
WOOLF, Virginia. Orlando. Tradução de Cecília Meirelles. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2003.
SAFRAN FOER, Jonathan. ExtremelyLoud and Incredibly Close. Londres: Penguin Books, 2006.
MCEWAN, Ian. Atonement. New York: Anchor Books, 2003.
KUNDERA, Milan. A Insustentável Leveza do Ser. Tradução de Tereza Bulhões de Carvalho. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.

THOMPSON, Craig. Retalhos. Tradução de Érico de Assis. São Paulo: Companhia das Letras (Quadrinhos na Cia.), 2009.
Tenho plena consciência de que estou esquecendo de muita coisa, mas fiz a listinha baseada nos livros que já li e que estão mais perto do computador, hehehe.
*Graphic Novel

Amuleto (Roberto Bolaño)

Hahá! Consegui mudar a foto no layout do blog.

Prometo colocar outra um pouquinho melhor em breve mas, provisoriamente, deixemos que essa bonitinha dê uma dica sobre o conteúdo principal (e único, talvez) deste blog. Achei essa foto no meu computador e, infelizmente, é a única que tem a ver com livros. Aquela mão é minha e o exemplar eu não lembro qual é. Mas é bem provável que seja um de Linguística que faziam a gente ler no 1o semestre da faculdade.

Pensei em tirar uma foto da minha estante, mentira!, porque não tenho uma estante. Meus livros se empilham no chão do quarto e em cima da mesa do computador. Mais dia menos dia morrerei soterrada — porém, feliz.

Vamos então ao que interessa:
Tenho Amuleto, do chileno Roberto Bolaño, desde o ano passado e — pra variar — só agora consegui ler. Até pouco tempo reclamava que não conseguia conciliar os trabalhos da faculdade e da pesquisa com as demais leituras porque era teimosa mesmo. Agora, dedico meus (poucos) intervalos e momentos livres à leitura dos livros que acumulavam pó e formavam pilhas gigantes no meu quarto — sempre com a promessa de uma leitura futura. Percebi, então, que alguns livros conseguem ser lidos em 2 ou 3 dias como é o caso de Amuleto.

E não é só porque o livro possui (apenas) 154 páginas e uma diagramação que preserva os olhos calejados de quem sofre de miopia, astigmatismo e um cérebro cansado, mas sim, porque parece que a narradora (e personagem principal) é alguém que sentou do meu lado no ônibus e contou uma história mirabolante sobre como ficou presa no banheiro do prédio da Faculdade de Filosofia e Letras na Unam (Cidade do México – DF) de 1968. Lógico que eu adoro as pessoas como a uruguaia Auxilio Lacouturre que sentam do meu lado no ônibus e puxam conversa.

Minha parte favorita?

Los médicos me miraban desde arriba, con sus verdes tapabocas de bandidos, y decían que no mientras la camilla iba cada vez más rápida por un pasillo que viboreava como una vena fuera del cuerpo. ¿De verdad no voy a tener un hijo? ¿No estoy embarazada?, les preguntaba. Y los médicos me miraban y decían no, señora, sólo la llevamos para que asista al parto de la Historia. (BOLAÑO, 2009: 128)

Outra coisa: não comprei o livro por influências internas anteriores. Adquiri porque fiquei absurdamente intrigada com o fato de que um autor latino-americano (homem) tenha escrito sob o ponto de vista de uma personagem feminina. E que, além disso, faça da narradora-e-personagem-principal a “mãe da poesia mexicana”. Penso muito sobre isso, agora que terminei de ler o romance porque confesso que não decifrei todas as metáforas ou alegorias contidas nele (se é que há alguma, se é que o autor pretendia alguma coisa, mas me agrada pensar que sim e que ainda há muito a ser refletido acerca deste livro).

Portanto, inicio agora uma campanha: gostaria de saber dos meus leitores (eu sei que vocês existem!) se vocês têm conhecimento de outros livros que sigam o mesmo modelo: escritor homem que escreve sob a voz narrativa de uma mulher, isto é, que narre em primeira pessoa como uma mulher.

Por favor, sintam-se livres para contribuir com minha lista de leituras! :)

Edição: BOLAÑO, Roberto. Amuleto. Barcelona: Anagrama, 2009.


Fiquei com preguiça de scanear a capa do meu exemplar.

Então, resolvi abrilhantar este post com uma ilustração lindinha do Vital Lordelo.

The Gathering — Capa

Já que neste exato momento escrevo de um computador provido de uma impressora multifuncional com scanner, aproveito para postar a imagem de uma das capas de livro mais lindas que já vi circulando por aí.

The Gathering, da Anne Enright, edição da Vintage Books (ver post anterior). Este livro foi presente (não exatamente) da minha xará Amanda L. Explico: ela comprou o exemplar, mas não conseguiu ler a tempo para as aulas de Literatura Inglesa IV, então, como achei a edição linda e precisava ler de qualquer maneira para fazer o trabalho final da disciplina, acabei comprando o livro dela. :)

Agora o desabafo: confesso que, nos primeiros três anos da faculdade (estou no quarto e prevejo uns dois pela frente), fiquei excessivamente preocupada com as atividades da mesma, relegando a segundo plano a atividade de LEITURA dos romances e demais livros de ficção que acabava acumulando em casa. Mas agora que comecei a fazer as disciplinas de literatura inglesa e norte-americana (essa última a partir do semestre que vem), coloquei a literatura em outro patamar da minha vida, lendo muito muito muito. Nem preciso dizer que isso só me trouxe bons resultados além de, claro, melhorar cada dia mais a qualidade do meu trabalho de pesquisa junto à faculdade (que realizo desde o ano passado).

Onde eu quero chegar com isso? Descobri que Anne Enright esteve na edição do ano passado do FLIP. E eu nem fiquei sabendo. Na verdade, apenas sabia da existência do evento mas, na época, não dei a devida atenção, como a maioria dos eventos literários que acontecem no país e no mundo. Shame on me.

Para encerrar (indignada comigo mesma) posto aqui o link para uma entrevista concedida à Folha Online no ano passado (mais precisamente em 04.07.2009) com a escritora. Vale a pena conferir!

Temos a nossa própria ideia do nosso destino, do papel que nós mesmos fazemos em nossas próprias vidas. Mas acho que é trabalho de um escritor sempre questionar isso, de dizer que poderia haver outras pessoas para você se apaixonar se coisas diferentes tivessem acontecido, e causa e efeito são muito difíceis de se definir com precisão.

(Anne Enright)

Nota: ontem, um amigo reclamou do blog alegando que o mesmo não tinha figuras.
Ora bolas, as imagens lindas que eu acho pela internet são postadas no meu tumblr! (não, não sou uma redessociaisaddicted mas acho tumblr sensacional!)