The Bluest Eye (Toni Morrison)

Sou tão “nerd da literatura” (se é que esse termo existe, de fato) que não só leio os livros exigidos pelas disciplinas que eu curso como também leio aqueles exigidos nas disciplinas que meus colegas cursam como é o caso de The Bluest Eye, da norte-americana Toni Morrison, lido pelos colegas de Literatura Norte-Americana III (não havia me matriculado nela por questões de colisão de horário). Morrison está na minha lista-de-leituras-futuras há um bom tempo! Tenho o A Mercy dela (edição baratíssima adquirida na Livraria Cultura), peguei o Song of Solomon na biblioteca da faculdade e a Vivian, minha colega de pesquisa, defendeu o trabalho de conclusão de curso sobre o Beloved, outro que em breve aparecerá por aqui. :)

Ouvi comentários do tipo que o The Bluest Eye, por ser o primeiro livro dela, fosse talvez o menos interessante. Pois, se, como dizem for o menos interessante, imagino que Toni Morrison venha a ser minha escritora favorita, tudo porque este livro já é considerado como o meu favorito-de-todos-os-tempos. Quais os motivos? É um livro triste, o mais triste de todos e, ao mesmo tempo o mais bonito.

A história é simples (porém dramática): Pecola, uma menina negra e “feia”, tratada com indiferença pela mãe e violentada pelo pai, tem um único desejo em toda sua vida: ter olhos azuis. Afinal de contas, se ela realizar seu maior sonho, as pessoas parariam de olhar para ela com raiva ou indiferença e não a achariam tão feia.

A narrativa gira em torno da vida de Pecola, de Pauline (sua mãe) e de Cholly (seu pai) e inicia a partir do momento em que Pecola passa a viver na casa das irmãs Claudia e Frieda em decorrência do desmembramento de sua família. Ela é composta por quatro vozes distintas: Claudia (também criança e irmã de Frieda), um narrador em terceira pessoa, Pauline (mãe de Pecola) e, nos momentos finais, temos a voz da própria Pecola.

O livro questiona os ideais de beleza de uma sociedade que exige das mulheres determinados padrões de beleza impostos por determinado gênero, raça e, claro, classe social, destinados a determinado gênero, raça e classe social.
Talvez o mais genial em Morrison, foi que ela deu voz às crianças negras de Lorain, Ohio, nos Estados Unidos dos anos 40, um país marcadamente conhecido pelas lutas em prol dos direitos civis.

Segue, na sequencia (I), um dos meus trechos favoritos — narrado por Claudia, que fala sobre a péssima (na opinião dela) mania dos adultos de imaginarem que o sonho de toda menina negra é ganhar uma boneca de olhos azuis:

I destroyed white baby dolls.

But the dismembering of dolls was not the true horror. The truly horrifying thing was the transference of the same impulses to little white girls. The indifference with which I could have axed them was shaken only by my desire to do so. To discover what eluded me: the secret of the magic they weaved on others. What made people look at them and say, “Awwwww,” but not for me? The eye slide of black women as they approached them on the street, and the possessive gentleness of their touch as they handled them. (MORRISON, 1990: 15)

Segue, na sequencia (II), um vídeo interessante sobre a autora, falando, em entrevista, sobre o processo de escrita de The Bluest Eye.

Toni Morrison talks about her motivation for writing

(Além de uma escritora competentíssima, acho ela linda e querida! Queria tanto que fosse minha mãe ou tia ou avó…)

Acreditem, é o meu livro favorito até o momento.

Edição: MORRISON, Toni. The Bluest Eye. London: Picador, 1990.

10 thoughts on “The Bluest Eye (Toni Morrison)

  1. Nunca tinha ouvido falar (Muito feio?). Mas a dica está anotada. Gosto bastante de livros que dividem a narração entre os personagens – menos de “Enquanto Agonizo”, do Faulkner. Fuja!

    E tenho o mesmo sentimento pelo Ray Bradbury. Queria que ele fosse meu avô. Principalmente quando ele faz essa pose:

    http://tinyurl.com/27j4s6z

    :D

  2. Hahaha FAIL apontado pra mim.

    Ok, talvez o problema seja mais a minha aversão a caipiras, e a dor no coração que eu sentia cada vez que eles falavam errado. Preconceito mesmo… Um dia dou outra chance ao Faulkner.

  3. Como uma das que cursou a Norte-Americana III – bem, ainda não sei se passei :p – gostei demais do livro, tanto da temática quanto da estrutura da narrativa. Belo post, amiga! Recomedo também! ;)

  4. fiquei com muita vontade de ler!

    ainda não li o enquanto agonizo, mas li o som e a fúria do faulkner, e ele divide a narrativa entre várias pessoas tbm. leu esse?

    beijo, te sigo no google reader. :*

    • quero muito ler o Som e a Fúria, sim! está na minha lista de leituras futuras. já estava muito antes de ler o Enquanto Agonizo, mas esse último apareceu antes!
      acho que na biblioteca da faculdade não tem, então é provável que acabe comprando em inglês (embora não tenha problemas em ler um exemplar traduzido, of course).

  5. Linda, finalmente apareço para comentar no teu blog. Comoi mais uma remanescente da cadeira de norte-americana III afirmo que esse foi um dos melhores livros da cadeira. Gostei muito do teu post, embora discorde de alguns pontos. Que bom que tu adorou a leitura.

    • Opa! Mas que beleza! Agora fiquei curiosa com teus pontos de divergência :)
      Vamos tomar um café (ou um sorvete, porque esse calorão tá pedindo!) pois quero saber mais sobre eles!

      Podia ter abordado por aqui mesmo, eu queria muito transformar o post em um espaço de discussão! (Não que não seja, mas ainda não ocorreram muitas discussões por aqui…).

  6. Pingback: The Women of Brewster Place: A Novel in Seven Stories (Gloria Naylor) « The Sun Sets

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