A vendedora de fósforos (Adriana Lunardi), no Amálgama

No final do ano passado, a convite do próprio editor, fui convidada a integrar a equipe de literatura do site Amálgama. De início, fiquei indecisa, afinal, 2011 não havia sido um ano muito bom literariamente falando, com o blog praticamente atirado às traças em razão de mil outras coisas que acabaram tomando praticamente todo o meu tempo. No entanto, resolvi aceitar o “desafio” como uma espécie de promessa pessoal de que eu voltaria a me dedicar ao registro das impressões a cada livro lido. Embora a gente sempre prometa que vá atualizar o blog com mais frequência, é diferente quando tem alguém do lado efetivamente cobrando a entrega de um texto.

Pois então, no mês de janeiro recebi o romance A vendedora de fósforos, da “gaúcha-carioca” Adriana Lunardi, autora que, até então, me era desconhecida. Embora meu namorado dissesse que se trata de escritora excelente, me esforcei ao máximo para não receber influências externas, nem criar expectativas. Ao final da leitura, senti que, se em algum momento tive alguma expectativa, ela foi certamente superada. E vocês podem conferir o texto que fiz pro blog nesse link aqui.

Boa leitura :)

Edição:

LUNARDI, Adriana. A vendedora de fósforos. Rio de Janeiro: Rocco, 2011.

Último post do ano


2011 foi um ano ruim.

Pegando emprestada a expressão do John Fante.

E, pelo que pude perceber, não foi apenas para mim que algumas muitas coisas desandaram nos setores profissional, acadêmico e afetivo.

Foi um ano em que a literatura disputou espaço com problemas e crises, impedindo que eu rendesse como gostaria e como rendi no ano anterior. Acreditem, deitar na cama todas as noites, olhar para o lado e me deparar com duas pilhas gigantes de livros não lidos no criado-mudo doeu. Pior que isso, só a falta de motivação para lê-los somada aos projetos que abandonei, os que não andaram e, claro, às metas pessoais não cumpridas.

Quero que 2012 seja o ano do esculacho.

Pegando emprestada a expressão dos avassaladores.

Quero patrolar todas as adversidades fazendo a única coisa que eu sei fazer (mais ou menos direito) na vida, que é ler. Quero manter meus critérios e minhas ambições no alto e não balançar só porque alguém, ou alguma instituição, ou mesmo o cansaço intelectual me disse que eu não poderia.

Ainda não sei de onde tirei forças pra escrever esse último texto do ano. Ando exausta física e intelectualmente.

Balanço negativo à parte, quero desejar a todos que acompanham o blog um final de ano lindo! Com menos crises e mais estudo e trabalho! Quero agradecer também a todos pelo apoio, pelo carinho e pelos comentários, é bom saber que não ando só nessa minha “jornada”.

Que as crises sirvam para nos fortalecer :)

Acho que é essa a minha principal mensagem.

Feliz Natal e próspero ano novo!

Abraços,
Amanda

Citação

It took hundreds of millions of years to produce the life that now inhabits the earth — eons of time in which that developing and evolving and diversifying life reached a state of adjustment and balance with its surroundings. The environment, rigorously shaping and directing the life it supported, contained elements that were hostile as well supporting. Certain rocks gave out dangerous radiation; even within the light of the sun, from which all life draws its energy, there were short-wave radiations with power to injure. Given time — time not in years but in millennia — life adjusts, and a balance has been reached. For time is the essential ingredient; but in the modern world there is no time.

Silent Spring, by Rachel Carson

Campeonato Gaúcho de Literatura (Jogo 8) – Edição 2011

Foi publicado ontem, no site oficial do Gauchão de Literatura, a arbitragem que fiz para o jogo de número 8 entre os romances A Amante do Lobo, de Ana Paula Fohrmann e Aurum Domini: o outro das Missões, de Simone Saueressig. Há exatamente 1 ano, participei da edição 2010 do evento cujo foco principal era analisar 27 livros de contos.

Fiquei muito feliz por saber que há uma quantidade enorme de escritores e escritoras publicando (só nessa edição do campeonato foram 48 ao total) e que uma iniciativa como essa do “Gauchão” (como carinhosamente chamamos por aqui) serve para veicular a produção literária do estado para todo o país.

Esse ano a disputa foi, de certa forma, mais tranquila, pois os romances, além de conferir unidade à narrativa, são ambos muito bem escritos e de leitura agradável. No entanto, como se trata de uma competição, era preciso escolher o vencedor.

Quer saber qual ganhou? Confere aqui :)

Citação

Em tempos de exclusões, fundamentalismos e genocídios, violências estatais e institucionais, assim como de vários outros níveis de violência que assolam a vida cotidiana, a literatura comparada representa um campo de conhecimento que fortalece o gesto na direção do outro, esse lugar intraduzível em sua diferença e, por isso mesmo, medida de uma humanidade que deve ser realizada em toda a extensão da vida social. (SCHMIDT, 2010 : 11)

SCHMIDT, Rita Terezinha. Sob o signo do presente: intervenções comparatistas. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2010.

Justificativa que se faz necessária:

Essa semana faz duas semanas que não publico nada por aqui. O motivo é nobre e até pensei em listar todas as atividades acadêmicas em que estive envolvida e todas as leituras teóricas (adicionais) que precisei fazer nesse tempo em que fiquei ausente. Porém, acho que isso tornaria a leitura muito chata e ninguém aqui está muito interessado nisso. Também não é a proposta do blog.

Mas tenho lido bastante, sim. No momento, “disseco” e me delicio com Um Teto Todo Seu, da Virginia Woolf, e fico impressionada com a imensidão de sua pesquisa e de sua reflexão feita em 1928 (será que ela imagina que alguém em 2010 leria seus textos?). Depois, pretendo emendar com a leitura teórica do A Literature of Their Own, da Elaine Showalter (dando continuidade aos escritos de Woolf) e, claro, The Madwoman in the Attic, da Sandra M. Gilbert e da Susan Gubar.

Comecei a ler (mas interrompi) The Beast in the Jungle, do Henry James, The Pygmalion, do George Bernard Shaw (esse eu acabei vendendo para poder almoçar, há umas duas semanas) e Sons and Lovers, do D. H. Lawrence, todos para a disciplina de Literatura Inglesa 3 — e, muito provavelmente, só voltarei a lê-los quando a prova cobrando as respectivas leituras se aproximar.

Também comecei a ler Os Homens que não Amavam as Mulheres, do Stieg Larson porque a Gabriela me emprestou seu exemplar! Livros emprestados? Tem uma pilha à parte aqui nas minhas coisas com uns exemplares que o Antônio me emprestou (Do Fundo do Poço se vê a Lua, do Joca Terron e Elizabeth Costello, do Coetzee) e, claro, o Angela’s Ashes, do Frank McCourt, emprestado da Cybele.

Encomendei, há algumas semanas, o Freedom, do Jonathan Franzen e Herland (and other stories) da Charlotte Perkins-Gilman. Segundo a Livraria Cultura, ambos ainda estão aguardando a liberação da alfândega. Um dia eles chegam.

Essa semana começa a 56ª Feira do Livro de Porto Alegre. O único problema é que eu não sei se meu cartão de crédito não foi bloqueado… ACEITO DOAÇOES! :) Além disso, dia 15 de Novembro o Benjamin Moser vem para a feira para o lançamendo da biografia Clarice,. Logo, é bem provável que eu interrompa todas as minhas leituras para me dedicar ao Clarice,

Por fim, tenho escrito semanalmente sobre quadrinhos no site O Café. (É outro site, com outra temática e com outra proposta!)

Como deu para percebr, tenho muitas leituras interessantes para os meses de Novembro e Dezembro (yyyik, já!!???). Apesar da correria da faculdade, estou confiante de que os próximos meses sejam mais produtivos (pelo menos para o blog) do que Setembro e Outubro.

Boas leituras!

obs (1): se sobrar um limitezinho no crédito, o escolhido da feira será o Umbigo sem Fundo, do Dash Shaw.

obs (2): ilustração do Vital Lordelo.

Desabafo para José Saramago

O texto de hoje, além de pessoal (como todos os que posto aqui) é confessional.

Pouco havia me importado com a morte do escritor português José Saramago, ocorrida no dia 18 de Junho, parte porque até o momento não li nada da sua obra, parte porque fiquei irritada com o sensacionalismo demasiado em cima de sua morte da parte de blogs, jornais e revistas do país inteiro, como se um escritor ou escritora fosse importante e digno ou digna de uma notícia (ou nota) apenas quando morresse.

Confesso que fiquei irritada também com as muitas “declarações de amor literário” e tantos outros puxa-saquismos que surgiram a partir daí, a ponto de me fazer querer classificar Saramago como um possível escritor cujo nome configuraria a tão famigerada comunidade “Escritores com fãs escrotos”. Ele era bom escritor? Não sei, ainda não li nenhum dos seus romances. Mas lerei com todo o prazer do mundo como faço com todos os livros que leio e escrevo sobre aqui ou na faculdade.

No entanto, boa parte da minha antipatia para com Saramago se dissipou após tomar conhecimento do seguinte texto, publicado em 27 de Julho de 2009 no site Outros Cadernos de José Saramago:

Problema de Homens

por José Saramago

Vejo nas sondagens que a violência contra as mulheres é o assunto número catorze nas preocupações dos espanhóis, apesar de que todos os meses se contem pelos dedos, e desgraçadamente faltam dedos, as mulheres assassinadas por aqueles que crêem ser seus donos. Vejo também que a sociedade, na publicidade institucional e em distintas iniciativas cívicas, assume, é certo que só pouco a pouco, que esta violência é um problema dos homens e que os homens têm de resolver. De Sevilha e da Estremadura espanhola chegaram-nos, há tempos, notícias de um bom exemplo: manifestações de homens contra a violência. Até agora eram somente as mulheres quem saía à praça pública a protestar contra os contínuos maus tratos sofridos às mãos dos maridos e companheiros (companheiros, triste ironia esta), e que, a par de em muitíssimos casos tomarem aspectos de fria e deliberada tortura, não recuam perante o assassínio, o estrangulamento, a punhalada, a degolação, o ácido, o fogo. A violência desde sempre exercida sobre a mulher encontrou no cárcere em que se transformou o lugar de coabitação (neguemo-nos a chamar-lhe lar) o espaço por excelência para a humilhação diária, para o espancamento habitual, para a crueldade psicológica como instrumento de domínio. É o problema das mulheres, diz-se, e isso não é verdade. O problema é dos homens, do egoísmo dos homens, do doentio sentimento possessivo dos homens, da poltronaria dos homens, essa miserável cobardia que os autoriza a usar a força contra um ser fisicamente mais débil e a quem foi reduzida sistematicamente a capacidade de resistência psíquica. Há poucos dias, em Huelva, cumprindo as regras habituais dos mais velhos, vários adolescentes de treze e catorze anos violaram uma rapariga da mesma idade e com uma deficiência psíquica, talvez por pensarem que tinham direito ao crime e à violência. Direito a usar o que consideravam seu. Este novo acto de violência de género, mais os que se produziram neste fim-de-semana, em Madrid uma menina assassinada, em Toledo uma mulher de 33 anos morta diante da sua filha de seis, deveriam ter feito sair os homens à rua. Talvez 100 mil homens, só homens, nada mais que homens, manifestando-se nas ruas, enquanto as mulheres, nos passeios, lhes lançariam flores, este poderia ser o sinal de que a sociedade necessita para combater, desde o seu próprio interior e sem demora, esta vergonha insuportável. E para que a violência de género, com resultado de morte ou não, passe a ser uma das primeiras dores e preocupações dos cidadãos. É um sonho, é um dever. Pode não ser uma utopia.

(fonte)

O que me autoriza a colocar seu autor alguns livros à frente na minha lista de leituras futuras. Se alguém teve a coragem de falar/escrever aquilo que eu muitas vezes tenho vontade de gritar ao mundo inteiro, então talvez Saramago seja um possível candidato a minha lista dos meus escritores favoritos.

Por favor, passem adiante esta mensagem.

E boa leitura a todos!

Próximas Leituras

Justifico minha ausência prolongada: comecei a ler Slow Man do Coetzee para uma disciplina da faculdade. Como não havia conseguido o exemplar a tempo, me contentei a ler sabe-se-lá quantas páginas em pdf. Porém, como não possuo notebook, nem netbook, muito menos kindle e demais devices para a leitura de um arquivo não-impresso em outros lugares que não sejam a minha casa (mais precisamente, no meu computador), comecei a ler A Writer’s Diary, da Virginia Woolf porque o mesmo foi retirado da biblioteca e poderia ser carregado facilmente nas minhas bolsas em idas (não tão) intermináveis à faculdade. Outro porém: adquiri, na semana passada, um livro que deveria ter sido lido há algumas semanas para a faculdade, o The Gathering, da irlandesa Anne Enright (presente da minha querida xará Amanda) e sobre o qual pretendo fazer um dos trabalhos da disciplina.

Como decidir pela leitura de um dos três livros?
1. Prazos: ainda tenho uma semana para finalizar a leitura de Slow Man e a mesma uma semana para entregar o trabalho sobre The Gathering. Portanto, a prioridade será em cima de um deles. A Writer’s Diary pode esperar até o interstício de tempo entre Slow Man e a próxima leitura da cadeira por se tratar de uma narrativa fragmentada (é uma compilação dos diários da Virginia Woolf) que não segue, por assim dizer, um enredo linear.

2. Praticidade: ler um livro deitada na cama e apoiada em travesseiros é muito mais agradável do que sentada em uma cadeira não muito confortável e arruinando a capacidade de leitura dos meus olhos com o brilhozinho irritante do monitor (que já reclamam da miopia e astigmatismo beirando aos 5). PORÉM, a letra impressa do The Gathering é miudíssima, o que também contribui — e muito — para a ruína dos meus olhos (já o pdf permite um maravilhoso zoom ad infinitum).

3. Tamanho: o arquivo do Slow Man conta com 204 páginas e, sem que eu notasse, já li mais de 100, ao passo que sequer abri o exemplar do The Gathering ainda.

Portanto, se meus olhos permitirem, o próximo post será sobre J. M. Coetzee.