Amuleto (Roberto Bolaño)

Hahá! Consegui mudar a foto no layout do blog.

Prometo colocar outra um pouquinho melhor em breve mas, provisoriamente, deixemos que essa bonitinha dê uma dica sobre o conteúdo principal (e único, talvez) deste blog. Achei essa foto no meu computador e, infelizmente, é a única que tem a ver com livros. Aquela mão é minha e o exemplar eu não lembro qual é. Mas é bem provável que seja um de Linguística que faziam a gente ler no 1o semestre da faculdade.

Pensei em tirar uma foto da minha estante, mentira!, porque não tenho uma estante. Meus livros se empilham no chão do quarto e em cima da mesa do computador. Mais dia menos dia morrerei soterrada — porém, feliz.

Vamos então ao que interessa:
Tenho Amuleto, do chileno Roberto Bolaño, desde o ano passado e — pra variar — só agora consegui ler. Até pouco tempo reclamava que não conseguia conciliar os trabalhos da faculdade e da pesquisa com as demais leituras porque era teimosa mesmo. Agora, dedico meus (poucos) intervalos e momentos livres à leitura dos livros que acumulavam pó e formavam pilhas gigantes no meu quarto — sempre com a promessa de uma leitura futura. Percebi, então, que alguns livros conseguem ser lidos em 2 ou 3 dias como é o caso de Amuleto.

E não é só porque o livro possui (apenas) 154 páginas e uma diagramação que preserva os olhos calejados de quem sofre de miopia, astigmatismo e um cérebro cansado, mas sim, porque parece que a narradora (e personagem principal) é alguém que sentou do meu lado no ônibus e contou uma história mirabolante sobre como ficou presa no banheiro do prédio da Faculdade de Filosofia e Letras na Unam (Cidade do México – DF) de 1968. Lógico que eu adoro as pessoas como a uruguaia Auxilio Lacouturre que sentam do meu lado no ônibus e puxam conversa.

Minha parte favorita?

Los médicos me miraban desde arriba, con sus verdes tapabocas de bandidos, y decían que no mientras la camilla iba cada vez más rápida por un pasillo que viboreava como una vena fuera del cuerpo. ¿De verdad no voy a tener un hijo? ¿No estoy embarazada?, les preguntaba. Y los médicos me miraban y decían no, señora, sólo la llevamos para que asista al parto de la Historia. (BOLAÑO, 2009: 128)

Outra coisa: não comprei o livro por influências internas anteriores. Adquiri porque fiquei absurdamente intrigada com o fato de que um autor latino-americano (homem) tenha escrito sob o ponto de vista de uma personagem feminina. E que, além disso, faça da narradora-e-personagem-principal a “mãe da poesia mexicana”. Penso muito sobre isso, agora que terminei de ler o romance porque confesso que não decifrei todas as metáforas ou alegorias contidas nele (se é que há alguma, se é que o autor pretendia alguma coisa, mas me agrada pensar que sim e que ainda há muito a ser refletido acerca deste livro).

Portanto, inicio agora uma campanha: gostaria de saber dos meus leitores (eu sei que vocês existem!) se vocês têm conhecimento de outros livros que sigam o mesmo modelo: escritor homem que escreve sob a voz narrativa de uma mulher, isto é, que narre em primeira pessoa como uma mulher.

Por favor, sintam-se livres para contribuir com minha lista de leituras! :)

Edição: BOLAÑO, Roberto. Amuleto. Barcelona: Anagrama, 2009.


Fiquei com preguiça de scanear a capa do meu exemplar.

Então, resolvi abrilhantar este post com uma ilustração lindinha do Vital Lordelo.

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