The Gathering (Anne Enright)

Mais uma vez, um dos livros exigidos na disciplina Literatura Inglesa IV. Como dito em um post anterior, comecei a lê-lo somente depois de ter assistido as aulas sobre o romance em questão e confesso: não recordo de uma única palavra a respeito das mesmas. O motivo? Não lembro. Lembro apenas de ter estado presente em todas as aulas. Fazendo o quê? Não lembro. A faculdade tem dessas.

No entanto, acho que de todos os livros que lemos na disciplina este foi o que achei mais interessante porque a história é instigante: os nove filhos sobreviventes de uma família irlandesa se reencontram na casa da mãe (já viúva) para velar corpo de Liam, o irmão morto. A voz narrativa é de Veronica, irmã de 39 anos (um ano mais nova que Liam), conhecedora de um segredo de infância que pode ter sido fator culminante para o suicídio do irmão.

O enredo é fragmentado e conta, às vezes em um mesmo capítulo, fatos das quatro gerações presentes no livro: da avó, da mãe, da própria Veronica e seus irmãos e de suas filhas. O que mais me impressiona na narrativa é a maneira como Veronica confessa a incerteza da veracidade quilo que está sendo por ela narrado, dando um aspecto confessional (e sincero) da parte da narradora-personagem, como se dissesse “não sou dona da verdade, apenas escrevo aquilo que vi, ou que penso que vi”. O que torna o enredo ainda mais envolvente.

As memórias da infância vivida em um lar onde sexo, vida e morte (“My mother had twelve children and – as she told me one hard day – seven miscarriages.” pág. 7) ocupam o mesmo lugar de sua vida sexual conjugal (do presente) e com a idéia de que (no futuro) suas filhas também casem e façam sexo assim como ela e o marido Tom.

De todos os livros lidos na disciplina, creio que este tenha sido o mais contemporâneo de todos. Publicado em 2007, ganhou o Booker Prize. Há uma linha do tempo de acontecimentos literários ao final do romance em que constam os candidatos daquele ano, que são: The Uncommon Reader, de Alan Bennett; The Yiddish Policeman’s Union, de Michael Chabon; Sword Song, de Bernard Cornwell; The Gathering, de Anne Enright; A Thousand Splendid Suns, de Khaled Hosseini e Tomorrow, de Graham Swift.

Edição: ENRIGHT, Anne. The Gathering. London: Vintage Books. 2009

Próximas Leituras

Justifico minha ausência prolongada: comecei a ler Slow Man do Coetzee para uma disciplina da faculdade. Como não havia conseguido o exemplar a tempo, me contentei a ler sabe-se-lá quantas páginas em pdf. Porém, como não possuo notebook, nem netbook, muito menos kindle e demais devices para a leitura de um arquivo não-impresso em outros lugares que não sejam a minha casa (mais precisamente, no meu computador), comecei a ler A Writer’s Diary, da Virginia Woolf porque o mesmo foi retirado da biblioteca e poderia ser carregado facilmente nas minhas bolsas em idas (não tão) intermináveis à faculdade. Outro porém: adquiri, na semana passada, um livro que deveria ter sido lido há algumas semanas para a faculdade, o The Gathering, da irlandesa Anne Enright (presente da minha querida xará Amanda) e sobre o qual pretendo fazer um dos trabalhos da disciplina.

Como decidir pela leitura de um dos três livros?
1. Prazos: ainda tenho uma semana para finalizar a leitura de Slow Man e a mesma uma semana para entregar o trabalho sobre The Gathering. Portanto, a prioridade será em cima de um deles. A Writer’s Diary pode esperar até o interstício de tempo entre Slow Man e a próxima leitura da cadeira por se tratar de uma narrativa fragmentada (é uma compilação dos diários da Virginia Woolf) que não segue, por assim dizer, um enredo linear.

2. Praticidade: ler um livro deitada na cama e apoiada em travesseiros é muito mais agradável do que sentada em uma cadeira não muito confortável e arruinando a capacidade de leitura dos meus olhos com o brilhozinho irritante do monitor (que já reclamam da miopia e astigmatismo beirando aos 5). PORÉM, a letra impressa do The Gathering é miudíssima, o que também contribui — e muito — para a ruína dos meus olhos (já o pdf permite um maravilhoso zoom ad infinitum).

3. Tamanho: o arquivo do Slow Man conta com 204 páginas e, sem que eu notasse, já li mais de 100, ao passo que sequer abri o exemplar do The Gathering ainda.

Portanto, se meus olhos permitirem, o próximo post será sobre J. M. Coetzee.