Madame Bovary (Gustave Flaubert)

(capa lindinha de uma das últimas edições da Penguin Books)

Lembro de ter começado a ler (sem sucesso) muito antes de entrar na faculdade porque minha mãe tinha o romance em casa. Doei o livro (com o consentimento da mãe, claro) para a biblioteca pública da minha cidade natal como moeda de renovação anual da ficha e só voltei a ter contato com o romance no segundo semestre da faculdade, quando foi cobrada (e avaliada) a leitura de alguns dos principais-romances-do-Realismo. Que sacrifício ler Flaubert! Demorei, sem mentira, quase um mês para finalizar a leitura e quase abri uma champagne para comemorar. Como pude achar a leitura tão ruim?

Agora, três anos depois, foi-me solicitada novamente a leitura do romance, porém, desta vez, minha orientadora queria a edição traduzida para o inglês. Retirei a edição na biblioteca da faculdade e comecei a ler suas 360 páginas (letra MINÚSCULA) no momento em que cheguei em casa. Para minha surpresa, o livro parecia muito, mas muito diferente daquele lido há alguns anos! Terminei a leitura em menos de uma semana (sem contar os intervalos, creio que li em 4 dias). Sim, meus olhos reclamaram bastante (passei o dia seguinte praticamente dormindo), mas né? Vício é vício.

Finalizei a leitura impressionada comigo mesma. O que me pareceu uma história “boba” (na ausência de outra palavra) na época da primeira leitura, agora se mostrou uma sequencia de eventos das mais interessantes que já li. Poxa, eu até chorei (e quem não chora?) quando Emma e Rodolphe decidem fugir. Chorei porque sabia que o plano não daria certo… E chorei mais ainda quando ele, com total indiferença para com os sentimentos de Emma, decide abortar o plano, mentindo que encontrava-se em uma situação financeira ruim e que tomava a decisão por se preocupar com o futuro da personagem. AHÃ.

O livro põe em discussão, dentre muitos aspectos, o adultério cometido pela mulher casada. A mudança na narrativa torna-se clara após o encontro entre Emma e Rodolphe, evidenciando o poder de subversão que este ato e o fato de se tornar “a amante” operou na personagem. Ela passa a ver o encontro com os dois amantes (primeiro Rodolphe e depois Léon) como únicas alegrias presentes em sua vida.

Outro aspecto gritante no livro é com relação ao papel social destinado às mulheres daquela sociedade e naquele tempo: a elas era apenas permitido levar uma vida praticamente enclausurada dentro da própria casa e a única educação a que estavam submetidas era o acesso à música, ao bordado e à leitura de romances que, na opinião de vários personagens de Madame Bovary, seriam os responsáveis pela insatisfação e oscilações de humor de Emma. A personagem é constantemente posta em comparação com Madame Homais, esposa do farmacêutico, por esta última ser extremamente zelosa no cuidado com a casa, com o marido e com os filhos, ao contrário de Emma.

Em linhas gerais, achei totalmente proveitosa a releitura do romance — que me fez lembrar, em muitos aspectos, o romance O Perdão (1910), da escritora gaúcha Andradina de Oliveira, porque a autora põe em evidência os mesmos aspectos primeiramente apontados por Flaubert e, porque, ao final, a protagonista de seu romance também comete suicídio. Os dois romances mostram como era a vida nos ambientes domésticos no século XIX e início do século XX (no caso do romance gaúcho) em algumas sociedades.

* * *

Mudando um pouquinho de assunto: o tema do post de hoje me lembrou de uma conversa com meu amigo Guilherme, ocorrida há poucos dias, sobre o hábito de reler os livros. Ele havia dito que sempre relia um livro após ter terminado o mesmo, para absorver melhor o contéudo. Fiquei impressionada e, por que não?, com inveja dessa aptidão! Um dia eu ainda vou deixar de ser preguiçosa e ler e reler muito, muito mais!!

Mudando mais um pouquinho de assunto: como deu para perceber, estou, no momento, bastante ocupada com uma das etapas da pesquisa acadêmica: a preparação de textos, apresentações e artigos para a apresentação e publicação em diversos eventos acadêmicos. Por isso, peço desculpas adiantadas pelo tempo que, infelizmente, ficarei sem postar por aqui.

Espero retornar muito em breve com novidades!

Volto novamente a fazer o pedido: quero sugestões de leituras :)

Edição: FLAUBERT, Gustave. Madame Bovary. Translator: ? London: Penguin Books, 1995.

obs (1): como deu para perceber, não encontrei nenhuma informação/referência sobre o tradutor da edição.

obs (2): a figura que se encontra acima do texto não corresponde à edição que li mas, como não encontrei a imagem do mesmo, resolvi colocar a capa de uma edição (também da Penguin) bem bonitinha, para ver se vocês (leitores) se animam a ler.

Boa leitura!

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